quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Queria acreditar.


É que era uma loira e meu mal estar passageiro durou muito tempo, fiquei na fila esperando, mas não tinha mais fichas, corri trás do ônibus, mas perdi esse e o próximo. Queria parar de falar coisas vulgares, queria parar de não ir aos lugares só porque você pode estar, e é hoje quando a dor parece menor que eu percebo como ela se alastrou. Agora meu criado mudo anda resmungando meus segredos e eu cantarolando sem parar, e quando me viro, vejo vindo bem mais rápido que meu pensamento, suas mãos. Ontem eu senti que tudo deveria continuar parado, imóvel, violento, do jeito que você deixou, mas agora se espalham digitais pelos meus poros e eu tento controlar o fluxo, mas não seguro mais os castiçais, porque as velas se foram e o eu estou no escuro. Depois de tanto tempo eu ainda lembro como se tivesse sido ontem, mas foi ano passado e ano passado eu pensei que foi ano passado que eu te beijei e durou uma vida toda. E eu voltei da faculdade pensando em me apaixonar de novo, mas a essa altura não muda mais nada, e agora, digitando esse “agora” o seu cheiro se espalhou pela sala, como se tivesse sido ontem que você partiu.
Como se tivesse sido ontem, como se fizesse diferença.

Um comentário:

Vanessa disse...

Saudade de passar aqui e ler coisas boas (ou bem escritas)!