quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Queria acreditar.


É que era uma loira e meu mal estar passageiro durou muito tempo, fiquei na fila esperando, mas não tinha mais fichas, corri trás do ônibus, mas perdi esse e o próximo. Queria parar de falar coisas vulgares, queria parar de não ir aos lugares só porque você pode estar, e é hoje quando a dor parece menor que eu percebo como ela se alastrou. Agora meu criado mudo anda resmungando meus segredos e eu cantarolando sem parar, e quando me viro, vejo vindo bem mais rápido que meu pensamento, suas mãos. Ontem eu senti que tudo deveria continuar parado, imóvel, violento, do jeito que você deixou, mas agora se espalham digitais pelos meus poros e eu tento controlar o fluxo, mas não seguro mais os castiçais, porque as velas se foram e o eu estou no escuro. Depois de tanto tempo eu ainda lembro como se tivesse sido ontem, mas foi ano passado e ano passado eu pensei que foi ano passado que eu te beijei e durou uma vida toda. E eu voltei da faculdade pensando em me apaixonar de novo, mas a essa altura não muda mais nada, e agora, digitando esse “agora” o seu cheiro se espalhou pela sala, como se tivesse sido ontem que você partiu.
Como se tivesse sido ontem, como se fizesse diferença.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Um trocado pra dar garantia'


E talvez se configure um daqueles milagres de outono, mas nessa época do ano não é exatamente o que se pode esperar. Um milagre.
Ofereci minhas ultimas moedas, mas não era o bastante, era só um troco de uma compra da qual não me lembro mais, mas aí, nesse momento significava bem mais que isso, era uma tentativa de te ajudar pra me sentir útil outra vez, era tudo que eu tinha e eu disse pra você não gripar, pra você comer, eu retirei a mexa de cabelo do seu rosto, te contei um piada, limpei a gota que caíra calada, fiz ventar pra amenizar o calor e toquei seu rosto pra retirar alguma coisa que talvez eu tenha criado na minha cabeça e posto ali pra pegar de volta, na tentativa vã de recuperar outras coisas, coisas que fora do meu sonho frouxo é uma prisão de concreto.
- Eu não quero.
- Fica bem.
Então você olha pra trás e por um segundo quem sabe as coisas fossem diferentes, ah, mas eu corri atrás daquele ônibus e você estava ao telefone, e aí eu soube que quando pararem os relógios de minha vida todas as linhas estarão ocupadas, sem culpas, só ocupadas.
Isso é tudo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Que dia triste.


O que me importa ter você agora?
Se a chuva cai feito louca de qualquer forma.
Dia de chuva, de garoa.
Dia de amor e sorvete que custa a derreter.
Esse gosto na boca, gosto de tristeza.
O que me importa se você me adora?
Se a razão pra lhe querer foi pelo ralo.
Que não é verdade, que o anel quebrou junto com o pouco amor.
Que parafrasear uma música não vai te trazer de volta, não vai apagar os pretos e grafites.
Que escrever nesse estado é pedir pela falta de bom senso e tentar ainda uma poesia que deveria sair assim.
“O meu céu está pouco aceso,
As estrelas estão um pouco tortas.
O meu dia está feito um arabesco,
Em um quadro sobre saudades mortas.
O meu véu cobriu a falta,
Só me falta um tambor e coragem,
Pra desligar a força e ficar com velas no meio do caos.
A esperança morreu antes da hora,
E a sua lágrima caiu rápido demais.”
Mas eu não posso escrever isso hoje.
Hoje eu sou só um monte de papel amassado no cesto de lixo.
Eu sou um sambista em outubro,
Eu sou uma garota muito triste que queimou o pulso,
E perdeu o rumo de tudo que não existe mais.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Como queira!


Martelos e pregos e retratos tão velhos quantos os sonhos que eu quebrei hoje de manhã.
E os relógios não marcam mais o tempo, nem o meu lamento.
Isso faz parte de você?
Eu.
E o pouco que eu te dei era muito, era tanto que me confundo com o que tinha lá.
Na caixa vazia, tão surrada, no meio da estrada, ela, eu e mais ninguém.
E se pararem os relógios de minha vida, direi que tudo bem.
- Muito obrigada.
Que o caos não busca mais lugar em mim e que a fria aventura de procurar tesouro destruiu meu barco no meio do mar negro ou vermelho, como queira.
O meu corpo flutua sobre as águas do mar morto e morto também estão meus dias.
O sal cai na ferida e a menina corre pro seu quarto, vai chorar.
E a ventania despenteia seus cabelos e no meu dos cachos pensamentos.
“Ela não vai mais voltar.”
Mas aí é que para a brisa de um carro, no pára-brisa quebrado como seu coração.
Mas aí é que essas palavras não tem sentido mesmo e certas coisas não tem perdão.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Levanta e vai sorrir!



Agora a sombra é a coisa na soleira da porta pra combinar com os filmes que eu vi essa semana.
TIM BURTON.
[em memória de um vivo]
Eu disfarço tédio com gritaria.
Eu disfarço medo com sorriso.
Eu disfarço frio com saltos frenéticos.
Eu disfarço a falta de tempo com planos.
Eu disfarço os planos com tempo.
Eu disfarço notas ruins com talento.
E com talento eu disfarço quase tudo.
Eu disfarço você com saudade.
E disfarço sua falta com música.
Eu disfarço a dor com mentiras.
- Como vai?
- Eu?
- É, você.
- Vou muito bem.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Um ponto, viu?


Manda uma notícia aí do inferno, diz que está fazendo frio.
Manda uma notícia vazia, qualquer que seja o dia, mas que seja ontem, que seja hoje, não deixa pra amanhã que o meu sol não quer mais nascer.
Eu carreguei todo esse peso, todo esse tempo pra que você pudesse flutuar como uma borboleta, eu sempre quis ser uma borboleta, mas eu não sou.
Quase que a cal borra todo o desenho que eu fiz sobre nós, e o carvão estragou na chuva, e o papel molhou também e quando eu cheguei ao seu portão não havia ninguém lá, você se mudou? Porque não me avisou? Eu não sei onde te encontrar, eu preciso te entregar esse desenho, eu preciso te entregar isso. Eu estou indo mal sabia? Eu não agüento mais o chão embaixo dos meus pés, e cadê você?
Alguém me diz pra ficar longe do telefone e não fazer besteira, mas no fundo a besteira já foi feita e eu só fiquei olhando, eu tentei, mas não podia fazer nada, porque minha vida se limita a mim, não posso decidir que alguém fique ou vá, que alguém viva ou morra, que alguém pare de me matar, mas dorme em paz onde quer que você esteja.
Não se olha no espelho hoje, é muito injusto, que você se veja e eu não, eu que te amo muito mais.
Eu suportei a casa nos meus ombros e os muros entre nós, eu superei a falta de sorte e a vontade de existir, mas isso é tão mais forte que meu bixo de sete cabeças, é tão mais assustador que meu dragão inglês, é mais confuso que meu mais simples abismo e aquela bebiba que você disse que gostava, aquela vermelha, aquela cor de sangue, ela acabou, assim como acabou a música que escorria da minha alma até você.
Silêncio também é música, mas não é felicidade.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Espero que o tempo passe.


Era uma vez uma guria de cabelos loiros, olhos claros, voz macia, essa garota mal sabia, mas seria o personagem principal de uma história triste, quase infeliz.
- Lembra aquela vez que você viajou e eu postei mil músicas do Nando Reis no seu Fotolog? Agora é só passado, nada mais.
‘pra que serve tanta mobília?’
P.s:"ahh... aqui faz muito calor, eu mal posso esperar pra voltar, não faz besteira aí hein?! eu dancei Beatles na chuva, pensei em você, eu só posso te amar mais que tudo no mundo mesmo... muito... bem muitão."
E o vão que fazem suas mãos? Ele nem existe mais.
Está tudo errado aqui dentro.
Tudo fora do lugar, tudo cinza, tudo roxo.
Eu sei, um braço, um abraço, e alguém me diz pra esquecer, conformar, esperar, lutar, seguir, mas e onde vão meus pés? Uma canção tocando aqui, no meu som agora, ela começa assim "quer saber quando te olhei na piscina..." e termina tão bonita, e é tão verdade que essa letra não foi escrita pra mim, embora eu queira o mesmo, mas alguém igual não há de ter, então quero mudar de lugar, eu quero estar em um lugar onde essa dor não possa estar, onde eu não esteja também.
O vão que fazem minhas mãos, o vão, é porque você... é só porque você... todo mundo sabe o resto da canção.
Só é possível, escorrem aos litros.
Eu vejo nossos filhos brincando, quando eu acordar desse pesadelo.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Teu príncipe, meu hóspede.


“Casa-se comigo, escuta essa canção, parece com vocês hoje.”
Antes que a terra pare de girar por qualquer outro motivo que não seja o simples e maravilhoso toque da sua mão na minha pele nova, nesse meu velho mundo que é uma peça da estação passada na sua passarela, mas hoje não, hoje a minha linda amiga recebeu uma mensagem vinda do céu, de um lugar distante, e por um segundo ela foi feliz, e ser feliz por um segundo é tempo o bastante pra quem tem um bom coração. Então parem todos os relógios pra esse segundo durar ainda mais tempo ou durar o tempo que tiver de durar, mas que não dure menos que isso.
Quanto a nós minha sombra, o sol se foi, você pode ir também.
“Case-se comigo
Antes que amanheça
Antes que não pareça tão bom pedido
Antes que eu padeça
Case comigo
Quero dizer pra sempre
Que eu te mereço”
Como criança dançando ciranda te vejo passar feito um filme projetado nos meus olhos, em um fio d’água. Talvez no próximo inverno você puxe uma cadeira e puxe conversa e me diga que espera que tudo fique bem, que espera que tudo seja melhor, que tudo fique só entre nós, que algo de nós fique suspenso feito estrela. E se chover na próxima sessão, espero que não derreta meus sentimentos como derreteram os seus, porque meu amor não é de barro, embora a lama cubra o meu lado da cama, meu mais belo ponto de vista, daqui teu cabelo é mais dourado.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Je suis l'autre moi!


Passar fome dói, mas passar fome funciona quando custa muito amar.
E passar fome e pesar o peso de uma borboleta e ver tudo escurecer e conseguir voar.
Ir onde ninguém foi.
E saber que não é simples, tão pouco é fácil, mas é o que ninguém entende.
O que você sente sozinha no quarto, com seus livros e discos e no meu caso sem vitrola, sem barulhos fora os gemidos de dor de mais alguém, assim como o outro de mim, todos se divertem as minhas custas e você já fez o mesmo.
E o novo paradoxo pode ser pensado, isso sim é paradoxal.
40kg + 1 grama faz toda a diferença.
Resumindo o que ninguém precisa saber.
Amar o outro de mim, uma imagem que eu pintei na tela que o amigo do Van Gogh me ensinou a construir.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Até parece que ia acontecer assim...


Eu só queria poder cantar todas aquelas canções bonitas sem chorar de tristeza.
‘Se há dores tudo fica mais fácil.
Seu rosto silencia e faz parar.
As flores que me manda são fato,
Do nosso cuidado e entrega.
Meus beijos sem os seus não dariam,
Os dias chegariam sem paixão.
Meu corpo sem o seu uma parte,
Seria o acaso e não sorte’
Ainda bem não é?
Que você vive comigo?
Ainda bem.
Que sorte a nossa hein?
Que sorte.
Se fosse verdade, se não fosse um conto de fadas.
'Entre tantas paixões,
Nosso encontro.
Nós dois, esse amor.'

Uma imagem e um fim de frase pra você.




Drink up, baby, stay up all night’
Eu cansei dessa canção e de todas as facas entrando na minha pele.
A sensação de que eu não posso fazer nada.
Eu queria um dia, só um dia de paz.
Um dia sem agulhas, sem fagulhas, sem sementes.
Um dia que não piorasse o dia seguinte.
Eu não consigo me mexer, pra onde eu vou a dor é o total.
Não só a minha.
A dela também.
A dor da menina perdida com seus cabelos brancos.
“mas eu vou cuidar de você, porque é isso que eu faço”.
Like you say you do?’
E tudo que você poderia fazer você não vai não é?
E todas as pessoas amargas e podres.
Eu não posso parar aqui, mas também não quero continuar.
Você me faria um favor?
Vela meu sono, que eu me assombro muito fácil no escuro.
Que meu futuro apagou no meio de tudo.
Que a maldita avenida ainda é habitada.
Que vazio mesmo só aqui nessa bagunça.
Ouvindo sinos dentro de mim, sinos possuídos pelo diabo que me dão a sensação de que eu ainda posso ser feliz.
Between the bars’
Nem mais um pouco desse analgésico, desse pequeno momento lisérgico em casas de árvore.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Se você me desculpar por tudo,


Por tudo que eu sou.
Me desculpa se eu adoeci.
Se eu acreditei no seu amor.
Me perdoa não ter um trabalho e nem saber o que fazer com as minhas mãos.
Me desculpa ser desajeitada.
Se tudo parecia me levar em direção a você.
Me perdoa por ter pedido pra você cuidar de mim.
Me perdoa aquela coisa do meu cabelo, sobre você arrumar ele às vezes.
Me perdoa o castelo não ser como você queria, mas eu pintei ele da sua cor favorita.
Me perdoa ser quem eu sou, talvez se eu fosse outra pessoa tudo estaria bem.
Me perdoa, porque eu nunca vou me perdoar.
Eu queria sentar na janela e voar, mas eu nunca vou chegar onde eu quero!

Sinto muito.


Eu queria ir embora, mas não tenho pra onde ir.
E não importa onde eu for essa dor insistente quer me acompanhar.
Ela já me avisou.
Ela já falou que vai ficar bem aqui no sofá da sala.
E mesmo que eu vá, não vai ser pro lugar onde eu quero ir.
Eu não tenho mais o que escrever, nem o que falar.
É só essa dor misturada com esse gosto de derrota.
Esse vapor, essa risada no quarto ao lado.
Obrigada por lembrar de me esquecer vida, obrigada.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Verde(ade)!


Depois de tudo e o diabo a gente acha que venceu, mas encontra sempre um pedaço partido, um pedaço da gente mesmo, bem ali no meio da rua, na parada de ônibus de mãos dadas com o seu futuro, seu passado, sua derrota, essas coisas vestindo um vestido qualquer.
Eu prometo, vou postar os acontecimentos dos últimos dias, mas hoje tem que ser só isso, pra gastar o resto e não ter mais depois.
Tudo bem, eu acho que o crime não compensa ao menos eu sempre soube disso.
E vocês ali e eu aqui apertando o passo, e tudo escuro, tudo preto, tudo roxo, tudo blue, no seu sentindo mais cã, uma palavra que eu aprendi hoje, no meio de umas risadas.
Cã, usado no plural.
Deus, eu gastei minha Hilda, meu Neruda, meu Pessoa, meu Raimundos, Meu Renato e no fim eu quero cantar Meg, pra dizer que se eu fosse feita de papel seria muito melhor.
Me queima com uma fagulhar, melhor que me queimar com essa outra, tão comum, tão feia.
Queria dizer que seu amor é uma mentira, mas da minha boca isso não vai sair, quem sente é você, você é quem sabe, você é quem vale o que tiver de valer.
Eu gastei meu talento, meu lamento, minha saliva.
Eu gastei meus centavos e esqueci o trocado pra dar garantia.
Eu nunca mais vou cantar meus sambas pra você, não é uma promessa, não é um compromisso meu comigo mesma, é só tristeza de ver você de mãos dadas como você disse que não poderia estar. Agora você pode, talvez pedir minha mão seja mais difícil que dizer:
“dá a patinha, amor”
Ódio de qualquer coisa, pra ignorar minha vida.