sábado, 19 de dezembro de 2009

E o 'eu te amo pra sempre'?


E o "eu não existo sem você?"
Tudo isso se perdeu.
Eu perdi.
"Cuz there's nothing else to do,
Every me and every you. "
Hoje o dia é o pior dos dias, o dia em que eu ainda respiro.
É um dia como qualquer outro.
Eu não tenho opção.
Eu não estou vendo a merda do céu de chumbo derreter.
Cadê caralho?
Cadê a merda do EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Saudade mata.


Hoje eu saí de casa no meio da chuva, molhando meus livros, sujando a minha alma e os meus pés de lama.
Todas as lágrimas misturadas à água e a dor se confundindo com o barulho dos carros.
Eu não sou tão forte, tão segura, tão infalível ao ponto de não chorar.
Eu tentei te achar dentro de algum carro, mas todos os vidros estavam embaçados, não sabia se era você, não sabia se era meu rosto distorcido no pára-brisa.
Toda a saudade caída do céu e você em algum lugar acabando de abrir os olhos, com outros olhos arregalados te observando.
Porque você estaria no meio da rua, na chuva por mim?
Eu queria que a resposta fosse amor, mas agora é só ela te dando bom dia.
- Quer café?
- Não, fica aqui comigo mais um pouco.
(...)
- Quer morrer sua louca?
Mas o carro nem ao menos chegou perto e eu não tive tempo de dizer que sim.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Descendo a rua as 2:45 AM.


Meu melhor amigo me ligou essa noite, mas eu não estava em casa.
Meu melhor amigo me ligou, mas eu estava no fundo do poço.
Então recebi uma mensagem vinda do céu.
Era ele dizendo que estava com medo.
Eu desço a rua vazia e suja por todo esse tempo.
Então eu peço que ele se acalme, sim meu querido amigo, se acalme, você tem a menina que você ama, ela não vai deixar você.
O telefone toca mais uma vez.
Não é ninguém.
Eu desço ao inferno por todo esse tempo.
A dor não me deixa pensar, e todo o mal que você fez.
Meu amigo eu vou te proteger.
Eu falei com deus pra tentar a sorte hoje, mas ele disse que não poderia fazer nada.
Eu rezei com toda a minha fé mergulhada em água limpa e ganhei um passe livre para inferno, eu quis te resgatar, mas quando me dei conta vi que era você que brincava com seu vestido novo em algum jardim enquanto eu olhava por entre as portas que eu não sei como abrir.
Então meu melhor amigo dormiu um sono profundo, e a menina que ele amava o acordou na manhã seguinte com um sorriso.
Eu quis invejá-lo, mas não consegui meu doce amigo.
Eu quis morrer, mas continuo descendo mais fundo todo esse tempo.
Respirando, tentando não pirar com tanta chuva, com esse maldito barulho que o silêncio faz de madrugada.
Com o vazio que me enche de nada.

Minha natureza morta de Van Gogh.


Flores de plástico não morrem!
Mas não são como flores vivas, embora essas morram.
As flores de Plástico não tem alma, embora possam ser limpas e não precisem de água ou alguma coisa parecida.
Pessoas de plástico não se machucam, elas precisam apenas de alguém que as compre, de alguém que se encante com seus encantos, seu amor não precisa de alimento, mas pessoas reais se machucam, pessoas reais aceitam perder seus espinhos para não machucar o outro e quando se dão conta estão completamente desprotegidas e aí, ao deus dará, nada pode reverter à situação.
Pessoas de plástico vivem mais, precisam de menos, vendem mais, sobrevivem a quase tudo. Seu cheiro é artificial, tudo é superfície e crueldade.
Pessoas reais não têm nada que não possam perder e que não possam doar, a maior dificuldade é quando alguém real encontra alguém de plástico. Sempre acaba com o triste fim da flor que agora é viva-morta enquanto a flor morta-de-plástico continua lá com todo seu ar de autoridade, a flor morta-de-plástico sempre tem o poder, tem a matéria, tem a escolha e fica por fim intacta.
Certo dia um incêndio devorou a casa onde ela morava, todas as flores de plástico derreteram, ficaram irreconhecíveis. E as flores vivas, agora mortas, jogadas ao solo infértil, com uma leve chuva fizeram brotar dele uma flor nova, muito antes um pequeno ramo, pois tudo um dia acaba, até o que não morre menos o que é verdadeiro, assim como um amor não passa, e a dor é persistente. Assim como uma flor, como uma cor que desbota no inverno, as flores vivas morrem e nascem outra vez, já o plástico derretido é só matéria informe, não pode enganar, encantar, suprassumir mais ninguém.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Nunca foi vermelho-super-hiper-claro!


6:43 da matina.
-Hey Guria, você não tem prova?
-Tenho, e daí?
-Você não deveria se preparar?
-Sim, mas, mas...
-Mas nada, vai logo.
-Espera, só preciso dizer uma coisa.
-Então diga!
-É que eu queria dizer que talvez eu sobreviva que talvez eu respire melhor um dia, que acreditar em uma mentira não te torna uma mentirosa, nem a vida uma ilusão, só te faz ser triste por um tempo, só te faz se perguntar como podem isso e aquilo, mas a verdade é que não existe um motivo relacionado a você mesmo, então é inútil se perguntar a cada manhã o porquê e esperar alguém que não vai voltar, não por estar muito longe, não por ser cego ou alguma coisa assim, esse alguém não volta pelo simples motivo de não querer voltar e você tenta refazer sua vida, tenta escovar os dentes e pentear o cabelo, e parece tão estúpido.
-Era isso?
-Sim, era.
-Eu não concordo.
-Não?
-Não, eu acho que a vida ainda vai te ferrar muito.
-E eu disse que ela não iria? Mas quando ela vier outra vez, eu não vou mais fingir que não me importo comigo, porque eu me importo sim, ao menos quando dói, porque a dor quem sente sou eu.
-Soube que você foi trocada, por qualquer uma?
-Você deveria procurar o que fazer, assim como eu estou indo fazer minha prova final.

sábado, 12 de dezembro de 2009

=/


"Eu fecho meus olhos pra te encontrar, eu deixei a porta aberta pra você voltar, volta pra casa, eu deixei a luz acesa pra você entrar sem sentir medo do escuro, disso tudo, do futuro que nos apavora, dessa bomba pronta pra explodir, volta pra casa.
Hoje!
Volta agora."

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

No país das maravilhas!


Antes de dormir só mais um pensamento.
Estou tão acelerada.
Estou tão sem graça.
Nem consigo sorrir.
“Há um muro de concreto entre nossos lábios.”
Eu sei que certas coisas não vão mais se acertar, e cada noite é muito longa, muito tensa, muito fria e, sobretudo, muito vazia.
Cheia de dor por todos os lados, todas as paredes manchadas.
“O que você me pede eu não posso fazer.
Assim você me perde, eu perco você.
Como um barco perde o rumo,
Como uma árvore no outono perde a cor.”
Desconstruir cada frase que já fez sentido um dia, que já me fez sentir.
Eu não sou nem uma Alice, eu não sou o lugar onde você mora, e eu nem sei o que isso quer dizer, mas diz respeito a mim, embora você não saiba mais me decifrar, ler meus lábios, essas linhas turvas, cada curva dessa estrada, e agora, não para rimar, não para enfeitar o poema, mas seu cheiro teimoso e insistente entra pela janela só pra me enlouquecer.
“Parecia que era minha aquela solidão.”
Ontem a noite eu conheci uma guria que eu não conhecia, ontem eu conheci uma guria que eu nem suspeitava existir, ela era eu, toda cheia de marcas, pontos, focos, planos, sonhos, músicas e frases inúteis feitas na hora, um improviso perfeito. Eu conheci uma guria que eu não conhecia, porque ela nunca foi pular carnaval, ela nunca usou fantasia, e se parecia que era dela aquela solidão, pode ter certeza que era minha, era minha.
Agora não é mais...
“...como um barco perde o rumo...”
Como uma vida inteira perde a cor!

Prova!


6:30 ouvindo uma canção, com os olhos cheios de lágrima, mas eu tinha que sair correndo!
"come up to meet you, tell you I'm sorry"
Eu tive um sonho estranho, muito engraçado.
Tenho uma amiga, linda amiga, que sempre me ajuda se eu preciso e que sempre, sempre liga pra saber como eu estou.
Ela é linda, muito linda.
Então, eu sonho e nos meus sonhos eu tenho memória de sonhos passados.
Pois é, tudo começa comigo lembrando, dentro do sonho de outro sonho, de um acidente aéreo, e eu tão triste, não conseguia mais viver na cidade do acidente, aí minha amiga me chama pra ir pra bem longe, e a gente vai pra um país, mas não sei qual, só sei que era alguma coisa como Hungria ou Dinamarca, sabe? Kierkegaard está me matando.
Então, a gente viaja por um oceano enorme, e do nada estamos em um navio, claro, muitas outras pessoas aparecem nesse sonho, e sim, a coisa mais engraçada de todas acontece quando estamos no mar e nesse mar tem um muro e não temos como escapar, mas eu vejo que do outro lado do muro tem um telefone e eu ligo pros bombeiros, ela me olha com aquele ar que ela sempre faz “como você é inteligente, como pode?", mas não tem sinal no telefone e eu pulo bem do alto com tanta fé, já sabendo que vou sobreviver e salvar a minha amiga.
E no fim estamos nesse tal país sem entender nada do que os nativos falam, conhecemos um brasileiro traficante e corremos pra um orelhão da OI pra ligar pra casa, mas aí a minha amiga como sempre cheia de perguntas me olha e diz “como fazer ligação a cobrar internacional?!”, mas na hora só pensei em como descobrir um jeito de saber quais eram os números, porque suspeitava que eles estivessem em uma grafia diferente, então resolvi acordar antes que a minha amiga muito linda e que adorar perguntar começasse o interrogatório.
Levantei, tinha provas, nem lembrava mais como eram essas semanas de prova, e hoje não tive tempo pra chorar de novo, acredita?
Sim, muitas provas.
Estou indo pra todas as aulas e sempre em mente que desistir não combina com minha calça favorita que pra falar a verdade quebrou o zíper.
P.s: a Blusa laranja deu sorte, ou será que é sua amizade tão bonita que me dá? Obrigada por tudo, apesar das perguntas chatas, irritantes e ...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Bem que eu queria me mudar daqui.


De certo e sob certo ponto de vista o inferno é bem menos seco que isso.
E a última promessa nem foi levada a sério e cada pesadelo é um pedaço extra-corporal.
Minha alma canta?
Hoje não, hoje não.
Queria ouvir alguma coisa a mais que esses seus gritos mórbidos nos sonhos, desespero e cor.
- Me pinta de azul, me pinta.
As coisas, os postes, os lumes, os puros de coração, hoje é tudo a mesma coisa.
As flores, as dores, o céu, o chão, o limpo e o sujo.
Tudo, tudo igual.
Eu sonho com você, eu sonho com meu dia feliz.
Eu sinto falta, eu me desamarro das vestes comuns.
O amarelo das fotos que nunca tiramos vem com o tempo que passa tão lento feito um pé cego.
O leite derramado ali, todo espalhado pelo chão.
Mas hoje não, hoje não.
E eu acordei hoje e não chorei, mas deu vontade, sim, mas não deu tempo, tive que sair correndo.
E a gente vai vivendo, e a gente vai torcendo pra não morrer.
A gente vai querendo ser feliz.
Mas você é tão boba que eu não consigo tornar público o seu medo, eu só me derreto feito lama na chuva, feito lama feita de chuva.
Mas hoje não, hoje eu estou de guarda-chuva, muito bem guardada de você.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

03 de Setembro de 2017.


No Dia do meu casamento eu quero aquele vestido rosa que você diz ser vermelho claro.
Eu quero nossas flores favoritas!
No dia do meu casamento eu quero que ele seja nosso.
No dia que eu acordar.
Mas agora estou dormindo um sono profundo, estou dormindo e tendo pesadelos.
Eu quero a casa bonita, a cerca branca, a filha loira.
Eu quero a Clarice e as cartas e as declarações.
Eu quero um presente, mesmo que o meu presente seja você.
No dia do meu casamento eu quero estar feliz.
Eu quero um pra sempre.
Eu tenho um pra sempre que eu nunca gastei com ninguém.
Pra você.
Meu pra sempre e essas flores.
Eu quero acordar só pra te ver dormir, no dia seguinte.
Eu quero fazer o seu café e quero comprar seu pão, ler seu jornal.
Eu quero seu coração batendo e sua respiração.
No dia do meu casamento,
Mas agora estou dormindo quase em coma, então me acorde com um beijo e faça silêncio, não precisa falar nada.
Eu vou entender a pergunta e dizer SIM.