
O que me importa ter você agora?
Se a chuva cai feito louca de qualquer forma.
Dia de chuva, de garoa.
Dia de amor e sorvete que custa a derreter.
Esse gosto na boca, gosto de tristeza.
O que me importa se você me adora?
Se a razão pra lhe querer foi pelo ralo.
Que não é verdade, que o anel quebrou junto com o pouco amor.
Que parafrasear uma música não vai te trazer de volta, não vai apagar os pretos e grafites.
Que escrever nesse estado é pedir pela falta de bom senso e tentar ainda uma poesia que deveria sair assim.
“O meu céu está pouco aceso,
As estrelas estão um pouco tortas.
O meu dia está feito um arabesco,
Em um quadro sobre saudades mortas.
O meu véu cobriu a falta,
Só me falta um tambor e coragem,
Pra desligar a força e ficar com velas no meio do caos.
A esperança morreu antes da hora,
E a sua lágrima caiu rápido demais.”
Mas eu não posso escrever isso hoje.
Hoje eu sou só um monte de papel amassado no cesto de lixo.
Eu sou um sambista em outubro,
Eu sou uma garota muito triste que queimou o pulso,
E perdeu o rumo de tudo que não existe mais.










