quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Verde(ade)!


Depois de tudo e o diabo a gente acha que venceu, mas encontra sempre um pedaço partido, um pedaço da gente mesmo, bem ali no meio da rua, na parada de ônibus de mãos dadas com o seu futuro, seu passado, sua derrota, essas coisas vestindo um vestido qualquer.
Eu prometo, vou postar os acontecimentos dos últimos dias, mas hoje tem que ser só isso, pra gastar o resto e não ter mais depois.
Tudo bem, eu acho que o crime não compensa ao menos eu sempre soube disso.
E vocês ali e eu aqui apertando o passo, e tudo escuro, tudo preto, tudo roxo, tudo blue, no seu sentindo mais cã, uma palavra que eu aprendi hoje, no meio de umas risadas.
Cã, usado no plural.
Deus, eu gastei minha Hilda, meu Neruda, meu Pessoa, meu Raimundos, Meu Renato e no fim eu quero cantar Meg, pra dizer que se eu fosse feita de papel seria muito melhor.
Me queima com uma fagulhar, melhor que me queimar com essa outra, tão comum, tão feia.
Queria dizer que seu amor é uma mentira, mas da minha boca isso não vai sair, quem sente é você, você é quem sabe, você é quem vale o que tiver de valer.
Eu gastei meu talento, meu lamento, minha saliva.
Eu gastei meus centavos e esqueci o trocado pra dar garantia.
Eu nunca mais vou cantar meus sambas pra você, não é uma promessa, não é um compromisso meu comigo mesma, é só tristeza de ver você de mãos dadas como você disse que não poderia estar. Agora você pode, talvez pedir minha mão seja mais difícil que dizer:
“dá a patinha, amor”
Ódio de qualquer coisa, pra ignorar minha vida.

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