quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Bem que eu queria me mudar daqui.


De certo e sob certo ponto de vista o inferno é bem menos seco que isso.
E a última promessa nem foi levada a sério e cada pesadelo é um pedaço extra-corporal.
Minha alma canta?
Hoje não, hoje não.
Queria ouvir alguma coisa a mais que esses seus gritos mórbidos nos sonhos, desespero e cor.
- Me pinta de azul, me pinta.
As coisas, os postes, os lumes, os puros de coração, hoje é tudo a mesma coisa.
As flores, as dores, o céu, o chão, o limpo e o sujo.
Tudo, tudo igual.
Eu sonho com você, eu sonho com meu dia feliz.
Eu sinto falta, eu me desamarro das vestes comuns.
O amarelo das fotos que nunca tiramos vem com o tempo que passa tão lento feito um pé cego.
O leite derramado ali, todo espalhado pelo chão.
Mas hoje não, hoje não.
E eu acordei hoje e não chorei, mas deu vontade, sim, mas não deu tempo, tive que sair correndo.
E a gente vai vivendo, e a gente vai torcendo pra não morrer.
A gente vai querendo ser feliz.
Mas você é tão boba que eu não consigo tornar público o seu medo, eu só me derreto feito lama na chuva, feito lama feita de chuva.
Mas hoje não, hoje eu estou de guarda-chuva, muito bem guardada de você.

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