
Antes de dormir só mais um pensamento.
Estou tão acelerada.
Estou tão sem graça.
Nem consigo sorrir.
“Há um muro de concreto entre nossos lábios.”
Eu sei que certas coisas não vão mais se acertar, e cada noite é muito longa, muito tensa, muito fria e, sobretudo, muito vazia.
Cheia de dor por todos os lados, todas as paredes manchadas.
“O que você me pede eu não posso fazer.
Assim você me perde, eu perco você.
Como um barco perde o rumo,
Como uma árvore no outono perde a cor.”
Desconstruir cada frase que já fez sentido um dia, que já me fez sentir.
Eu não sou nem uma Alice, eu não sou o lugar onde você mora, e eu nem sei o que isso quer dizer, mas diz respeito a mim, embora você não saiba mais me decifrar, ler meus lábios, essas linhas turvas, cada curva dessa estrada, e agora, não para rimar, não para enfeitar o poema, mas seu cheiro teimoso e insistente entra pela janela só pra me enlouquecer.
“Parecia que era minha aquela solidão.”
Ontem a noite eu conheci uma guria que eu não conhecia, ontem eu conheci uma guria que eu nem suspeitava existir, ela era eu, toda cheia de marcas, pontos, focos, planos, sonhos, músicas e frases inúteis feitas na hora, um improviso perfeito. Eu conheci uma guria que eu não conhecia, porque ela nunca foi pular carnaval, ela nunca usou fantasia, e se parecia que era dela aquela solidão, pode ter certeza que era minha, era minha.
Agora não é mais...
“...como um barco perde o rumo...”
Como uma vida inteira perde a cor!
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